domingo, 17 de agosto de 2014

"Se ele é Caboclo, ele mora nas matas"


Ponto cantado para a linha dos Caboclos, criado por mim em 3 de Março deste ano (2014), para ser usado no Templo Arani em dias de ritual de Caboclos.

Salve os Caboclos! 

Okê Caboclo!


 "Se ele é Caboclo, ele mora nas matas"

Se ele é Caboclo ele mora nas matas,
Faz a justiça com a machada de Xangô,
Para caçar pega a flecha de Oxossi,
Abre caminho com a espada de Ogum,
(2x)

Pisa Caboclo,
Dança no Congá,
Pisa nesta terra,
Com a bandeira de Oxalá.
(2x)

Almada, 3 de Março de 2014 © Paulo Lourenço “Ramiro de Kali”



sexta-feira, 1 de março de 2013

Lei do Retorno - Lei da Consequência



Lei do Retorno - Lei da Consequência

(texto de autor desconhecido)

"Esta é uma Lei muito conhecida e de aplicação universal, irmã gémea da Lei do Renascimento. A Lei da Consequência toma diferentes nomes, segundo a sua aplicação. Na física, por exemplo, é chamada de "O Princípio de Newton" ou "lei de acção e reacção", assim enunciada: "uma força não pode exercer uma acção, sem, no mesmo instante, gerar uma reacção igual e directamente oposta", ou, por outras palavras, "toda causa gera um efeito correspondente".

Existem, pois, causas e efeitos. A causa é primária; o efeito é secundário. Só pode manifestar-se o efeito, se as causas entrarem em acção. Isto dá-se em tudo, por exemplo, no dar e receber. Dar é a acção; receber, a reacção inevitável. Tudo que recebemos, em quantidade e qualidade, está condicionado ao que dermos, porque o efeito ou reacção de receber pressupõe uma causa, uma acção: o dar. Lucas o Apóstolo, expressa-o muito bem: "Dai e dar-se-vos-á". (6:38).

Inúmeros outros exemplos da aplicação dessa lei universal encontram-se, na Bíblia: "o que o homem semear, isso mesmo colherá" (Gál. 6:7): "Procura primeiramente o reino de Deus e Sua Justiça e tudo o mais te será dado por acréscimo"; "Batei e abrir-se-vos-á"; "Pedi e dar-se-vos-á"; "Procurai e achareis".

É evidente. Acaso não sofremos perturbação digestiva se comemos demais?

O conhecimento e meditação desta Lei ensejam a tomada de consciência de todas as falhas e suscitam o propósito de nos esforçarmos para corrigi-las. Demais, passamos a compreender que somos os formadores do nosso destino e, portanto, assumimos consciente e progressivamente a responsabilidade dos nossos actos, deixando atrás a ideia de um Deus vingativo e a de atribuir aos outros, como fazíamos frequentemente, a causa dos nossos males e insucessos. Mostraremos adiante como efectuar eficazmente esse nobre esforço de regeneração, a fim de, no dizer de Paulo apóstolo, "ressuscitarmos da corrupção para a incorrupção, da ignomínia para a glória; do corpo animal para o corpo espiritual, de vez que o último Adão será feito em espírito vivificante" (1 Cor. 15:42/45). Realmente, é preciso "que nos despojemos do homem velho e nos revistamos do homem novo, em novidade de espírito" (Paulo aos Efésios 4:22/24).

DEUS E AS LEIS DO UNIVERSO

Dizemos que a natureza é o símbolo visível de Deus. É verdade. Ele criou o Universo e o sustenta na sua evolução, através de leis e de Auxiliares. Uma dessas leis é a da Atracção ou da Consequência.

Alguém poderia inquirir: Por que Deus permite sofrermos as consequências dos nossos erros? Isso não é um castigo? Se Deus é amor, deveria ter melhores meios.

Respondemos: Há melhores meios que a dor, para quem deseja viver rectamente. A estes é que dedicamos este trabalho. A dor é inevitável apenas para os que continuam a usar mal a liberdade. O livre arbítrio é um sagrado direito individual, e Deus, como Pai e pedagogo incomparável, sabe que precisamos de aprender a usá-lo, para um dia exercermos os deveres e direitos de cidadãos espirituais. Não podemos atingir a virtude, que segue o bem, embora também conhecendo o mal, senão pela experiência e o conhecimento aplicado, consoante as leis do Universo de que fazemos parte, Deus não quer títãs, senão futuros criadores conscientes.

Finalmente lembramos que, assim como a sensibilidade e a dor nos fazem retirar instantaneamente a mão que por descuido pusemos no fogo, para que não se queime demasiado e não nos faça sofrer, assim também, os efeitos dolorosos resultantes de nossos actos erróneos, previnem-nos em tempo, de prejuízos maiores, e até da ruína total, que seria inevitável aos que desenfreadamente se entregam a práticas inferiores.

O INDIVIDUO E A LEI DA CONSEQUÊNCIA

Durante a vida terrestre o ser humano estabelece relações com numerosas pessoas relações essas, que podem ser harmoniosas ou desarmoniosas. Como a morte não liquida os erros, do mesmo modo que um homem endividado não se liberta das suas dívidas pelo facto de mudar-se para outra cidade, a Harmonia Universal exige um ajuste de contas. No caso de dois inimigos, renascerão juntos, talvez na mesma família, como pai, filho ou irmão, para, na convivência e nos laços de sangue chegarem a converter o antigo ódio em amor, conforme o propósito de Deus.

O destino gerado pela Lei da Consequência é complexo, porque o destino de uma pessoa associa-se ao de outras pessoas que muitas vezes não podem renascer na mesma época ou o fazem em lugares distantes, tornando impossível o cumprimento do ajuste numa só vida. Doutro lado, pode suceder que seja tanto o destino gerado, que não tenhamos forças para redimi-lo numa só vida. Em tal caso, dando Deus o fardo conforme as forças, temos de resgatar as dívidas, por assim dizer, "a prestação".

Como é óbvio, o bem se inclui também na Lei da Consequência ou do Retorno.

Assim, a nossa vida actual é, em parte, resultado das anteriores, ficando uma margem variável, ao livre arbítrio. Quanto mais comprometidos estamos com o passado, tanto menos livre arbítrio, e vice-versa. A nossa vida é como um quadro de luz e sombras, uma mescla de tristezas e alegrias, uma sinfonia ainda cheia de dissonâncias. Se queremos alcançar a felicidade futura, é importante não assumirmos novos e pesados encargos e ao mesmo tempo nos aplicarmos diligentemente a um bem orientado esforço da regeneração.

Este último ponto é particularmente endereçado às enfermidades de todo género. Os Rosacruzes consideram a saúde sob um ângulo muito vasto, mental, emocional e fisicamente, posto que o homem é um ser complexo e deve ser encarado nos diversos aspectos. Há uma mútua influência de um corpo sobre o outro. Deste modo, pela reforma global e harmoniosa dos hábitos, exposta na Filosofia Rosacruz, o indivíduo torna-se um auto-curador e habilita-se a orientar os demais na eliminação das causas dos seus sofrimentos. Todos sabemos disto. Os que não estão internamente preparados para enfrentar a vida moderna abreviam as suas existências e sofrem os efeitos do seu nervosismo, angústias, preocupações e insatisfações, com as úlceras gástricas, diabetes, esclerose, enfartes e outros males comuns dos nossos dias.

SÃO OS PAIS CULPADOS DAS ANORMALIDADES DOS FILHOS?

Não. Os pais são meros instrumentos. Pais e filhos são previamente relacionados para cumprimento mútuo do destino. É incontestável, à luz da ciência, que um pai sifilítico muitas vezes gera um anormal e terá de responder por esse acto de irresponsabilidade. Mas, se uma criança chega a nascer nessas circunstâncias, há uma razão do destino, gerada em vida anterior. Embora pareça desumano, é muitas vezes pela dor que um espírito, aprisionado num corpo doente ou demente aprende as suas lições, a fim de retornar ao recto caminho, evitando a sua ruína total (Mateus 5:29 e 30).

Baseados nos conhecimentos ocultos, consideramos a eutanásia e a pena de morte altamente prejudiciais porque simplesmente adiam a lição que o espírito deve aprender.

A lei de hereditariedade age apenas no aspecto físico do homem; não lhe afecta o moral e o mental. Um demente toma um cérebro (físico) doentio do pai, mas não a mente. A Lei de Atracção muitas vezes associa pais e filhos de caracteres e tendências afins. Não é propriamente lei de hereditariedade. É tanto assim que o filho do génio raramente é génio. Dos vinte e um filhos de Johann Sebastian Bach, quem lhe alcançou a estatura musical? E após, quase 300 anos, que descendente o conseguiu? Nenhum, porque sua genialidade, como a de outros (Edison, Mozart etc.), é resultado de mérito individual, como espírito evolucionante mais aplicado.

O GÉNIO E O HOMEM COMUM FACE À LEI DA CONSEQUÊNCIA

O homem ou mulher geniais são almas avançadas que se aplicam e progrediram mais na escola do mundo, em vidas anteriores. É o que sucede a certos alunos, no decorrer da carreira escolar. O nível do Génio será atingido no futuro, pela média da humanidade. O que agora falta, física, moral ou mentalmente, pode ser adquirido num futuro próximo ou remoto, desde que haja o desejo e esforço no sentido da conquista da faculdade ambicionada. De nada vale, pois lamentar a sua falta agora ou buscar alcançá-la ilicitamente, porque, contrariando a lei natural, estamos demonstrando ignorância e retardando dolorosamente o nosso objectivo. A questão é definir-se e trabalhar, começando AQUI e AGORA. Somos os construtores do passado e do futuro. Quando Mozart dava concertos e compunha, na idade de quatro anos, revelava simplesmente faculdades conquistadas em vidas passadas, por esforço. Todas as chamadas facilidades e tendências têm a mesma explicação. Quem inicia agora tem que se aplicar mais, porém, chegará um dia a idêntico resultado. É preciso meditar na lógica desta questão, porque hoje vivemos impacientes e imediatistas, em tudo pretendendo resultados rápidos. Sabe-se que, realizando-se um decidido e perseverante esforço, atingimos mais rapidamente a meta, mas, pelo que se observa, os impacientes e imediatistas de hoje não parecem dispostos a tanto. Infantilmente, julgam que "mestres" externos possam produzir esse milagre dentro deles. Ilusão. As Leis de Consequência e renascimento expõem racionalmente as causas das desigualdades e aparentes injustiças deste mundo, em harmonia com a concepção de um Deus amoroso e justo, conforme explicava o Cristo. No Universo não existe recompensa nem castigo, nem sorte nem azar: tudo é resultado do bom ou do mau uso do livre arbítrio, accionando a invariável Lei, que nalgum dia, nalgum lugar, restabelece as novas condições, em méritos e deméritos, exigindo mais daquele a quem mais deu, dando mais ao que mais bem administrou os talentos espirituais e tirando o pouco que deu, ao que deles não fez uso. Assim é mantido o equilíbrio cósmico, onde o menor acto tenha produzido alteração.

A LEI DA CONSEQUÊNCIA E A ASTROLOGIA OCULTA

Com razão a maioria das pessoas desilude-se hoje da Astrologia: porque confundem a astrologia mundana com a Astrologia oculta, que permanece imaculada e útil, nas mãos de quem não a prostitui por dinheiro ou fama. Foi por ela que os chamados Reis Magos previram nos céus o nascimento de Jesus.

Conforme essa sagrada ciência, um ser renasce neste mundo, no momento exacto em que, no céu, a posição dos Astros, em relação à Terra, reuna as influências e tendências correspondentes ao carácter que ele deve ter nessa vida. Note-se, entretanto, que são apenas tendências, pois os astros "impelem" mas não obrigam. Ninguém, absolutamente ninguém está destinado a errar.

Depois do renascimento de um Ego determinado, sabemos que os astros continuam em sua órbita, formando, uns com os outros, a intervalos, novos aspectos ou configurações. Desse modo vão agindo sobre a aura individual, com tendências várias, a fim de propiciar oportunidades de crescimento anímico e marcando, qual um relógio, as ocasiões em que ele defrontará certas experiências. Se as aproveita, fica-lhe acrescida a virtude; se desperdiça uma boa oportunidade ou cai numa tentação, novas e mais duras experiências continuarão a assediá-lo, até que alcance o pleno domínio de si mesmo. Na medida em que ele aprende a equilibrar-se, vai se libertando de todas as influências, quer das exteriores, quer das interiores, de sua personalidade.

A LEI DA CONSEQUÊNCIA E O DESTINO COLECTIVO

Assim como a responsabilidade individual, ante a Lei da Consequência, traz a cada indivíduo o justo resultado das suas obras, boas ou más, assim também uma responsabilidade colectiva, grupal ou nacional, atrai os espíritos participantes para colher em conjunto o que em conjunto efectuaram. Podem produzir-se, por essa causa, perseguições, carências, inundações, terremotos, quedas de aviões e outros acidentes colectivos, assim como, no lado benéfico, a formação de jazidas (petróleo, carvão, minérios, condições geográficas e climáticas favoráveis etc., no lugar onde renasçam.

CRISTO-JESUS E A LEI DA CONSEQUÊNCIA

No esforço de regeneração que o conhecimento da Lei da Consequência nos impõe, não estamos sozinhos na luta: Cristo-Jesus nos está ajudando.

Mui apropriadamente dizem os Evangelhos que "Deus amou de tal maneira o mundo que lhe enviou o Seu Filho Unigénito para salvá-lo". É uma realidade comprovada pelos Rosacruzes, nos planos internos. Por sua Missão no Gólgota e retorno anual à Terra, Cristo nos infunde Sua Vida, Amor e Luz, suscitando em cada homem e mulher o sentimento de altruísmo e de entendimento. Este assunto, cuja compreensão reputamos vital em nossos dias, está muito bem exposto em "O Conceito Rosacruz do Cosmos", de Max Heindel, ao qual remetemos o leitor.

A EVOLUÇÃO RELIGIOSA E A LEI DA CONSEQUÊNCIA

Segundo o desenvolvimento de cada indivíduo ou agrupamento humano e as necessidades de cada estágio evolutivo, as Inteligências Superiores têm dado, por intermédio dos seus Profetas e Escolhidos, os meios adequados de evolução. Renascemos sempre no tempo e no lugar requeridos por nossas necessidades.

Deu-se assim a evolução religiosa.

O Supremo Arquitecto é Omnisciente. Ele não daria a um povo uma religião cujos ideais não pudesse compreender e os meios que não pudesse executar. Dentro da Lei de Consequência, Deus nos provê conforme as novas necessidades suscitadas por nossa evolução.

Nos primeiros passos da consciência humana (e com as tribos selvagens actuais) foi ensinado que Deus era um Ser terrível, vingativo e mau, que retribuía com pragas, fome e terremotos, às transgressões dos homens. Só um tal Deus poderia ser respeitado. Num segundo estágio (o dos antigos judeus), Deus já amenizou sua ira. Embora continuasse a castigar "olho por olho e dente por dente", já recompensava os bons actos, pela multiplicação dos rebanhos e abundância das colheitas. Os homens sacrificavam cordeiros e bezerros pelos seus pecados, porque não estavam preparados para fazer de si um sacrifício a Deus, pelo domínio de sua natureza inferior. Num terceiro estágio (o do Cristianismo popular, até agora vigente, com pequenas actualizações), foi o Cristo sacrificado pelo mundo e nunca mais se sacrificaram animais; cada homem deve buscar a sua salvação e, embora Deus ainda "castigue" (temor) já se ofereceu a recompensa futura de um céu aos que agissem bem. A natureza humana é ainda muito egoísta. Age por interesse de alcançar o céu e quando faz a promessa de um sacrifício, condiciona-a ao prévio recebimento da graça desejada. O quarto estágio está sendo pregado e realizado pelos Aspirantes Rosacruzes, pelos seguidores do Cristianismo Esotérico, a religião do futuro. Nela o indivíduo evolui pelo entendimento e pelo amor, fazendo de si um sacrifício vivo no altar da humanidade. Renuncia à natureza inferior, não por medo de castigo, nem de inferno. Age bem, não para ganhar o céu, mas porque reconhece que nisso está uma lei natural. É virtuoso porque conhece o bem e o mal e segue o bem, como sinónimo de Deus e da expressão do Criador em Si.

Compreendemos estas etapas todas, ainda nos dias actuais. Por isso respeitamos todas as crenças e convicções.

A LEI DA CONSEQUÊNCIA, O INFERNO E O PURGATÓRIO

A palavra inferno significa "o mais inferior" e simboliza o baixo estado de consciência em que vive o transgressor, seja na terra ou após a morte. O "fogo eterno" não existe. O vocábulo eterno é má tradução. A palavra original tem raiz grega: AIONIAN; quer dizer "um período indeterminado de tempo". Não tem o sentido que lhe deram, de interminável, de eterno.

O único fato comprovado por todos os iniciados, é este: no estado "post-mortem" o Ego vai à região inferior do Mundo dos Desejos e lá os registros de suas acções erróneas provocam reacção da força de repulsão, sofrendo por tempo e intensidade variáveis, efeitos dolorosos e purificadores.

É o que podemos chamar de purgatório, porque nos livra da matéria mais inferior, a fim de podermos subir aos planos superiores, onde assimilamos, depois, o bem realizado. O tempo e intensidade do processo purgatorial são proporcionais à quantidade de erros e da gravidade dos mesmos. De maneira geral, são três vezes mais dolorosos que os sofrimentos provocados e inversamente três vezes mais curtos.

A acção da Lei da Consequência, através da força de repulsão, actuante nos planos inferiores da natureza, é como um fogo depurador. Não o dizemos para inspirar medo, mas para evidenciar a realidade de que todos colhemos os frutos de nossa sementeira. No processo purgatorial, a dor desenvolve a CONSCIÊNCIA, essa voz interna que nos permite discernir entre o bem e o mal. Quando, na próxima vida, pela força do hábito, nos vemos tentados a repetir o erro, a consciência nos adverte. Se vencemos a tentação, crescemos em virtude; se caímos novamente, novas e mais fortes reacções virão, até que o hábito se modifique.

Como estudiosos da Bíblia, os Aspirantes rosacruzes interpretam racionalmente as expressões: purgatório, inferno, geena, fogo eterno, ira de Deus, e outras, como sinónimas do efeito negativo da Lei da Consequência. Assim, eles compreendem que, tanto os efeitos dolorosos como as facilidades que se oferecem na vida individual e nas colectividades, através dos tempos, são o justo resultado do uso da liberdade. Em tal sentido, o que chamam ou parece um mal, é um bem em gestação. E viver de acordo com as leis divinas, é o conhecimento aplicado, usando essas forças, amorosa e desinteressadamente, ao serviço dos demais.

LEI DA CONSEQUÊNCIA E O PERDÃO DOS PECADOS

O perdão dos pecados, ou purificação, é uma realidade, desde o advento de Cristo. Quem estiver interessado no aprofundamento do assunto, no sincero propósito de regeneração, poderá fazê-lo em "O Conceito Rosacruz do Cosmos", de Max Heindel.

O perdão dos pecados consiste na possibilidade concedida a cada ser, não importa quão pecaminoso seja, de modificar ou apagar em seu interior o registro das más acções, para o restabelecimento da paz interna indispensável à felicidade. Com isto realiza um progresso muito grande e rápido, caminho à libertação e que, pelo viver comum, levaria muitas vidas a efectuar.

O perdão dos pecados concilia-se perfeitamente com a Lei da Consequência, posto que o homem, sendo o construtor de seu destino, tem outrossim, o poder e oportunidade para mudá-lo. Melhor dizendo, o que o homem faz, pode também desfazer. E quando se trata de erro, essa possibilidade se transforma num dever de consciência.

Dizer que o homem não pode fugir da acção da Lei da Consequência é um erro. Pode e deve. Há muitos ocidentais que abraçam doutrinas orientais, julgando-as mais lógicas do que o Cristianismo popular, de vez que ensinam as Leis do Renascimento e o Karma (Lei da Consequência). De facto o Cristianismo Popular não expõe explicitamente essas leis, embora elas estejam bem claras na Bíblia. Essa omissão estava prevista na evolução do Ocidente, onde os indivíduos tinham de concentrar-se na matéria para dela extrair todas as experiências necessárias à sua evolução material. A Fraternidade Rosacruz, promulgando os ensinamentos do Cristianismo Esotérico, faz ressurgir claramente essas leis da sabedoria antiga, conciliando-as com o perdão dos pecados a fim de dar aos ocidentais a mais actualizada orientação evolutiva.

As doutrinas orientais tendem ao fatalismo, porque não incluem normalmente a prerrogativa de modificarmos e até anularmos as causas geradoras de um destino doloroso, reduzindo seus seguidores a escravos do passado e tirando a muitos esforçados a possibilidade de caminhar mais depressa O conhecimento do Karma e do Renascimento, sem a lei do Perdão dos Pecados, pode tornar-se, desse modo, mais prejudicial do que se as ignorássemos.

O perdão dos pecados (ou purificação interna), pode ser obtido pelos seguintes meios:

1. Reparação Directa - Desfazendo os prejuízos físicos ou morais causados a outrem, pessoal e integralmente.

2. Reparação Indirecta - Pela oração, exercício retrospectivo nocturno e prática do bem.

Ninguém é perfeito. Não há homem inteiramente bom nem inteiramente mau. Como Aspirantes cristãos, embora nos esforcemos sinceramente, muitas vezes transgredimos as leis de Deus. Sob um impulso emocional, calcando em vícios de origem, dizemos ou fazemos coisas de que, depois, nos arrependemos amargamente. Muitas vezes somos levados a isso por incitação de injustiças, mas, pensando bem, o erro dos outros não justifica o nosso. Ao contrário, esses são os momentos que nos ensejam exercitar o equilíbrio e domínio próprio. Se caímos, pelo menos devemos ter a coragem de nos sobrepor ao amor próprio e conseguir uma solução cristã, enquanto é tempo. (Mat. 5:22/25). E quando um Amigo incorre nessa falha tão frequente, ajudemo-lo à conciliação com o desafecto (Mat. 5:9).

Se já passou a oportunidade, que faremos? O desafecto morreu ou mudou-se para longe ou ficou tão magoado com a injustiça que não quer conciliação? Temos outro recurso, enquanto estamos no caminho, ou seja, neste mundo: é a reparação indirecta. Temos de cumprir nossa parte, a fim de limpar no íntimo o que possa gerar reacção futura desagradável. A prece verdadeira, sincera, sentida, tem o poder de elevar nossa súplica e arrependimento ao próprio trono de Deus, atraindo Sua ajuda e desfazendo em nosso interior, não a memória mas o que nela existe de inferior. Pela oração muitos irmãos nossos conseguiram atrair os desafectos e reconciliar-se com eles, numa amizade mais afectiva que antes. Orar pelos que ofendemos ou pelos quais fomos ofendidos, é não só agir com sabedoria e amor verdadeiros, como também "amar os nossos inimigos". Mas cuidemos bem de não guardar inconscientemente nenhum elo de mágoa ou ressentimento. Isso nos tornaria carcereiros do desafecto porque na realidade não o libertamos: a limpeza não se efectiva em nosso íntimo. E, como a intenção sem actos é incompleta (Tiago 2:14/18) é preciso completar o arrependimento e o perdão com a prática do bem, no amplo sentido cristão, esse bem que todos podem fazer, pela dádiva de si mesmos aos outros na orientação cristã, no incentivo, no conforto moral e material, na tolerância, na visita a enfermos, com propósito amoroso e esclarecido, espontâneo e discreto (Mat. 6:3).

A isto devemos juntar ainda o exercício nocturno de retrospecção. É feito ao deitarmo-nos. Relaxamos o corpo e, com a mente activa, vamos recordando, em ordem inversa, cada acto do dia, começando pelos da noite, para trás, passando aos da tarde, depois aos do meio dia e aos da manhã, buscando ver, imparcialmente, se fomos justos no que pensamos e sentimos em cada acto. Arrependemo-nos sinceramente do que fizemos de mal e regozijamo-nos no que de bem realizamos. Este exercício, tão singelo, quão eficiente, é minuciosamente explicado em "O Conceito Rosacruz do Cosmos", já citado. Constitui o mais poderoso meio de purificação do homem, quando realizado sinceramente e na prática da vida demonstramos o firme propósito de correcção. Aliado, pois, ao domínio de si mesmo, à oração e à prática do bem, discreto e altruísta, transforma o homem ou a mulher, paulatina e imperceptivelmente de tal modo, que, ele ou ela, chegam a admirar-se, tempos depois, da enorme transformação e paz decorrente, no seu interior."

(texto de autor desconhecido)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Instrumentos usados nas culturas e religiões afro-brasileiras



Instrumentos usados nas culturas e religiões afro-brasileiras

A contribuição da religião dos escravos africanos é muito forte no Brasil. Nos primeiros séculos de formação do nosso país, os africanos não tinham liberdade para praticar sua religião, pois as crenças africanas eram alvo de preconceito. Por isso, os escravos passaram a praticar a religião católica, mas associavam os santos do catolicismo aos deuses africanos.

Com isso, muitos escravos não adotaram de fato a religião de seus donos, apenas disfarçavam seus deuses sob a forma dos santos católicos. Assim, encontraram uma forma de continuar a praticar sua religião. Ao longo do tempo, as autoridades ora reprimiam ora toleravam os cultos africanos.

Outras manifestações culturais africanas, como o samba e o lundu, também foram alvos de vigilância e repressão pelas autoridades.
Enquanto trabalhavam, os escravos entoavam cantos. No campo, a música os ajudava a manter um ritmo de trabalho. Nas cidades, os escravos entoavam “chamadas” para anunciar os seus produtos, que eram cantadas tanto na sua língua de origem como em português. Quando se reuniam em grupo, nos raros momentos de descanso, também cantavam e dançavam.

Na falta de instrumentos musicais, improvisavam com o que tinham à mão. Para isso, usavam seus próprios objetos de trabalho e deles tiravam sons para acompanhar a cantoria. Havia também escravos que tocavam em orquestras ou que cantavam nos coros das igrejas.

O samba, que entre os quiocos significa brincar, o calango e o lundu são manifestações musicais dos africanos que contribuíram para a música brasileira.
Alguns instrumentos musicais, como a cuíca ou puíta, o berimbau e o ganzá, também foram heranças culturais dos africanos.


Alguns instrumentos usados nas culturas e religiões afro-brasileiras:


Adjá:

O adjá é um instrumento folclórico afro-brasileiro, idiofone, espécie de campainha de metal, simples ou dupla, também conhecido por campa ou sineta. Tem a função de invocar os orixás, chamar os crentes para o ritual de “dar comida” ao santo, ou para reverenciá-lo, além de acompanhar as danças e os toques de atabaque.




Agogô:

O Agogô é um instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal. É outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Presente em diversas danças e ritmos da cultura popular, sua maior participação é muito comum no samba e nos terreiros, nas cerimônias religiosas afro-brasileiras.




Afoxé:

Afoxé é um instrumento musical composto de uma cabaça pequena redonda, recoberta com uma rede de bolinhas de plástico. 





Atabaque:

Atabaque é um instrumento musical de percussão. Constitui-se de um tambor cilíndrico ou ligeiramente cônico, com uma das bocas cobertas de couro de boi , veado ou bode. É tocado com as mãos, com duas baquetas, ou por vezes com uma mão e uma baqueta, dependendo do ritmo e do tambor que está sendo tocado.





Djembé:

O Djembe é construído com uma pele única de animal - hoje normalmente de cabra, embora os originais fossem feitos a partir de pele de antílope. Alguns djembes industriais são feitos de fibra e com peles sintéticas, ganhando em termos de durabilidade e perdendo, naturalmente, em termos de riqueza de som.
No Senegal e no Mali. “Djem” se refere à árvore de onde sai à madeira para fazer o corpo do instrumento, e “be” significa cabra; onde a pele do animal serve como a superfície do djembe.





Berimbau:

Arco de madeira retesado por corda de arame, com uma cabaça aberta presa à parte inferior externa do arco, tocado com uma vareta de madeira e com o dobrão (peça de metal), com acompanhamento do caxixi.







Caxixi: 

O caxixi é um chocalho feito de palha trançada com a base de cabaça, cortada em forma circular e a parte superior recta, terminando com uma alça da mesma palha, para se apoiar os dedos durante o toque.
No interior do caxixi há sementes secas, que ao se sacudir dá o som característico.





Ganzá:

Ganzá é um instrumento brasileiro que é semelhante a um chocalho e usado em samba e outros ritmos brasileiros, como um instrumento de percussão. O ganzá cilindricamente é a forma que é feito de uma cesta de tecidos à mão ou um tubo de metal ou plástico que é preenchido com miçangas, pedras, bolas de metal ou outros artigos similares.





Gonguê:

O gonguê é um grande agogô, com uma única campânula, percutido com uma vareta de madeira.





Xequerê:

O xequerê é instrumento musical feito de uma cabaça cortada ao meio em uma das extremidades e envolta por uma rede de contas.
















(Textos e imagens sem autor conhecido, retirados em pesquisas na internet)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

De Exu a Oxalá - Os Deuses Yorùbá




Curso sobre as religiões afro-brasileiras

"De Exu a Oxalá - Os Deuses Yorubá"

Sábados 20 e 27 de Outubro de 2012

Ministrado pelo Professor Fernandez Portugal Filho*

- Autor de 13 livros e 26 apostilas -


O curso será repartido em dois (2) Sábados de 7h cada, e terá seu inicio Sábado dia 20 de Outubro, e fim no Sábado seguinte dia 27 de Outubro.

O horário será das 09.30 ás 17.30, com intervalo de 1h para almoço, e pausas para café.

O local será em Almada nas instalações do Templo Arani.


Programa do curso:

Antecedentes históricos.
A chegada dos Africanos no Brasil.
O conceito de nação.
Os primeiros candomblés.
O surgimento no Rio de Janeiro da Umbanda.
Os Òrìsà Yorùbá.
A iniciação no candomblé e na Umbanda.
Noções de magia yorùbá, oferendas e os ebo.
O uso de folhas ritualísticas, os cânticos sagrados.
Atual perspectiva dos cultos Afro-Brasileiros


Todos os formandos terão direito a certificado emitido pelo Instituto de Cultura Yorùbá, passado pelo Professor Fernandez Portugal Filho


Além do curso já anunciado, e durante a sua permanência em Portugal, o Professor e Babalawo Fernandez Portugal, aceita também marcações para Leituras de Búzios, nos dias úteis das semanas do curso.

O curso tem um pequeno investimento que deverá ser entregue no local antes do seu inicio. Todas as informações relativas ao valor do curso, ao local, ás inscrições e marcações para as Leituras de Búzios,  podem ser obtidas através dos telefones:

96 326 94 99   /   91 529 02 36



Faça já a sua reserva de inscrição, pois as inscrições tem um numero limite.



* Gumercindo Fernandez Portugal Filho, babalawo, antropólogo, professor, escritor, bacharel e licenciado em ciências sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, formado em comunicação Social pela Universidade Gama Filho, formado também um Naturopatia pela escola Portuguesa de Naturopatia.

Doutor Honoris Causa pela World University Roundtable (USA), membro da Comissão Alagoana de Folclore(BR), membro da Egbe Logun of Ifon – Oyo State (Nigéria), Diretor Presidente do Egbe Awó Ati Oniségun Omo Sàngó.
Sacerdote do Culto de Íya Mi Òsóróngá, na Nigéria, iniciado no Culto Palo, em Havana (Cuba), professor convidado do Departamento de História da Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro), professor titular da Cadeira de Cultura Afro-Negra do centro de Estudos e Pesquisa de Cultura Yorubana (Rio de Janeiro), professor convidado do Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de História da Filosofia da Universidade de Havana (Cuba).
Prestou assessoria para diversas produções da TV Globo e filmes.

Alguns de seus livros já publicados:

Curso de Cultura Religiosa Afro-Brasileira;
Yorúbá, A Língua dos Orixás;
Ossanyn, Orixá da Folhas;
Axé, O poder dos Deuses Africanos;
Cânticos e Encantos dos Orixás no Candomblé;
Rezas e Folhas do Meu Orixá;
O Jogo dos Búzios;
Formulário Mágico e Terapêutico;
Magias e Oferendas afro-brasileiras.


Foi também recentemente homenageado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, recebendo a Medalha de Mérito, considerado assim um dos maiores pesquisadores e divulgadores da cultura e religiosidade afro-brasileira.




terça-feira, 29 de maio de 2012

Templo Arani - culto aos Orixás

O Templo Arani, situa-se no Concelho de Almada, onde todos os Sábados pelas 15h se realizam rituais na linha de Umbanda, cultuando as entidades (Caboclos, Pretos-Velhos, Exus/Pombogira, Marinheiros, Boiadeiros, etc.) que trabalham na irradiação dos Orixás. Os rituais são abertos ao publico (com algumas restrições), excepto os rituais fechados somente para os que já fazem parte da casa. Todas as informações e consultas podem ser marcadas pelos telefones do templo.

Os assistentes podem livremente consultar as entidades incorporadas nos médiuns, sendo "limpos" e descarregados de energias negativas e conseguindo ajuda e conselhos para resolver os mais variados problemas do dia a dia:

Problemas de Saude, Amor, Trabalho, Justiça, Magias negativas, Invejas, Ciumes, Espirituais, etc...


No Sábado dia 2 de Junho, pelas 15h, realiza-se um ritual festivo com os "Pretos-Velhos"


Durante a semana, existem também Leituras de Tarot que podem ser marcadas através dos telefones:

96 326 94 99  /  91 529 02 36

Visite o site oficial para todas as informações: Templo Arani



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quinta da Regaleira


"Sintra foi desde sempre considerada pelos vários povos como o fim do caminho, um ponto de chegada aprazível, rico em água e terras férteis e de clima ameno. Além do mais, Sintra sempre transmitiu fortes sentimentos telúricos. A forma serpenteante que entra pelo mar, a sua proximidade com os astros (o facto de nascer abruptamente de uma planície fá-la parecer mais alta do que é) e as árvores milenares tão apreciadas pelas civilizações druídicas conferiram à serra o cariz sagrado que, na Antiguidade Clássica, serviu de inspiração para a designação de Promontório da Lua.
Neste contexto, a Quinta da Regaleira apresenta-se como o mais significativo e imponente dos monumentos simbólicos edificados em Sintra.

Um percurso glorioso

A história da Quinta da Regaleira, como ela se apresenta nos nossos dias, começa em 1892, altura em que é adquirida por António Au-gusto Carvalho Monteiro. O Monteiro dos Milhões, epíteto que popularizou esta misteriosa personagem, nasceu no Rio de Janeiro em 1848, filho de pais portugueses. Herdeiro de uma grande fortuna familiar, multiplicada no Brasil com o monopólio do comércio dos cafés e pedras preciosas, este homem rapidamente se tornou conhecido pela imprensa da época graças ao carácter, simultaneamente altruísta e excêntrico, que o levou a gastar uma verdadeira fortuna na realização desta fantasia.

Licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, Carvalho Monteiro tinha como grandes interesses os livros, a ópera, os instrumentos musicais, os relógios, as conchas, as borboletas e as antiguidades. Tinha também o desejo de construir um espaço grandioso, em que vi-vesse rodeado de todos os símbolos que espelhassem os seus interesses e as suas ideologias. Esse espaço encontrou-o em Sintra, um local que Monteiro considerava representar a essência de Portugal, uma espécie de baluarte da alma lusitana. Assim, decidiu comprar a Quinta da Regaleira (propriedade de uma rica família de comerciantes do Porto agraciados com o título de barão) por 25 contos de réis (125 euros).

Cinquenta anos mais tarde, já com as características actuais, a quinta foi vendida a Waldemar D'Orey que, sem ter desvirtualizado o que tinha sido concebido com tanto método, procedeu a pequenas obras que lhe permitissem acolher a grande família que tinha. Em 1987 a Quinta da Regaleira passa a ser propriedade da empresa japonesa Aoki Corporation, entrando num período de dez anos de plena inactividade.

Em 1997, dois anos depois de Sintra ter sido classificada Pa-trimónio Mundial, a Câmara Municipal adquire este valioso património, iniciando pouco depois um exaustivo trabalho de recuperação do património edificado e dos jardins. Uma vez concluídas as obras, a quinta foi finalmente aberta ao público como centro de actividades culturais.

Artes, artífices e estilos

Mas regressemos à história da Regaleira. O arquitecto escolhido por Carvalho Monteiro para a concepção da Regaleira foi o italiano Luigi Manini, que trouxe para trabalhar consigo os mestres coimbrãos, formados na prestigiada Escola Livre das Artes e Desenho. Arquitecto, pintor e cenógrafo, Manini veio para Portugal em 1876 para trabalhar no Real Teatro de São Carlos. Tinha trabalhado no Scala de Milão e gozava de muito boa reputação no meio artístico. O seu trabalho na construção do Palácio-Hotel do Buçaco agradou especialmente a Carvalho Monteiro. Porém, não era só nas questões estéticas que Monteiro e Manini estavam de acordo, ambos partilhavam as mesmas filosofias e estas afinidades foram determinantes para o desenvolvimento do projecto de concepção da Quinta da Regaleira.

O início das obras deu-se em 1898 com a adaptação da Casa da Renascença (actual sede da Fundação CulturSintra) para residência do casal Carvalho Monteiro. Seguiu-se a remodelação das cocheiras, depois a construção da capela e, finalmente, a edificação do palácio. Durante todas estas obras, até 1910, o trabalho dos artífices de Coimbra foi exclusivamente dedicado a Carvalho Monteiro, sendo a maioria das peças artísticas trabalhada na oficina de João Machado e depois enviada para Lisboa por comboio.

Da conjugação dos sonhos de Carvalho Monteiro com as artes de Manini e dos artesãos da pedra, nasceu um edifício arquitectonicamente muito rico num misto de estilos e de grande originalidade. Traços manuelinos são visíveis na utilização de ornamentos como cordames, elementos vegetais, esferas armilares e colunelos torsos, sendo utilizados uma série de novos elementos como animais e espécies antropomórficas, símbolos esotéricos relacionados com a alquimia e a maçonaria, revelando as ideias e convicções de Carvalho Monteiro.

O grande mentor da Regaleira era um homem conservador, monárquico e cristão gnóstico e, como tal, adepto de uma arte simbólica, com o objectivo de ressuscitar o passado. A predominância do estilo neomanuelino e a recorrência a elementos do sobrenatural e do sagrado não é mais do que o assumir a nostalgia dos tempos gloriosos e ricos dos descobrimentos. Neste mesmo contexto, a Arte Gótica é escolhida como a mais representativa da Quinta. Baseada na repetição de linhas geométricas e na forma ogival das abóbadas e dos arcos, sugere, para além dos objectos reais, os seres e animais estranhos que povoam os nossos sonhos e pesadelos. Castelos em ruínas, florestas sem saída, mansões com alas desertas e corredores escuros, criptas ocultas e subterrâneos húmidos, passagens secretas e portas interditas através das quais se adivinha a presença dos espíritos, são os ingredientes essenciais do cenário gótico que tão bem representado está na Quinta da Regaleira.

O romantismo dos jardins e a magia do poço




A - Entrada dos Guardiães e Terraço Celeste.
B - Poço iniciático, uma galeria subterrânea em espiral, por onde se descem nove patamares até às profundezas da terra.
C - Capela da Santicima Trindade, com uma magnifica fachada que aposta no revivalismo do gótico e do manuelino.
D - Lago dos Cisnes e Banco 515, na Gruta da Catedral.
E - A Torre da Regaleira, foi construida para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.


A visita a todo este universo começa junto ao chamado Patamar dos Deuses, terraço onde estátuas de vários seres divinos estão alinhadas ao longo do caminho. Daqui parte-se para uma visita ao interior dos jardins onde a cada momento o visitante é surpreendido por lagos, fontes, torres, terraços, grutas e muitos elementos simbólicos.

Românticos de concepção, os Jardins da Regaleira são construídos sobre socalcos e constituídos por uma mistura de plantas e árvores, trazidas das mais variadas partes do globo, que foram integradas de forma harmoniosa com a vegetação autóctone. O passeio pelos jardins e pelo bosque faz-se por caminhos de ascensão, partindo das zonas delicadas e subindo até à floresta espontânea, onde a vegetação é plantada sem ordem aparente, tão ao gosto da sensibilidade romântica vigente durante o século XIX.

A certa altura do percurso surge, num dos lugares mais bonitos da mata, um aglomerado de pedras que esconde uma disfarçada porta de pedra. Essa porta transporta-nos para um dos locais mais impressionantes da quinta - o fantástico poço iniciático, que, como se fosse uma torre invertida, nos leva ao interior da terra. De quinze em quinze degraus descem-se os nove patamares circulares do poço, recriando o ritual em que se descia ao abismo da terra ou se subia em direcção ao céu, consoante a natureza do percurso iniciático escolhido. Os nove patamares aludem aos nove círculos do Inferno, às nove secções do Purgatório e aos nove céus do Paraíso, que Dante consagrou na Divina Comédia. Lá no fundo, a carga dramática acentua-se. Gravada em embutidos de mármore em tons rosa, sobressai a grande cruz dos Templários, aliada a uma estrela de oito pontas, afinal o emblema heráldico de Carvalho Monteiro. É neste último patamar que entramos num conjunto de grutas que nos conduzem ao exterior, em autênticos labirintos, pelo mundo subterrâneo, aqui e além porventura povoado de morcegos. De construção artificial, na sua maioria, estas galerias aproveitam, no entanto, as características geológicas da mancha granítica da Serra de Sintra. Uma vez cá fora, espera-nos a luz e um cenário habitado por animais fantásticos, cascatas de água e passagens de pedra que parecem flutuar à superfície dos lagos.

Depois da experiência marcante de atraves-sar caminhos tão místicos, o passeio continua, cada vez mais deslumbrante até chegar à Capela da Santíssima Trindade. De nave única, este templo segue a mesma linha decorativa que reveste o palácio, assentando, sobretudo, no revivalismo do gótico e do manuelino. Mas a Capela revela uma outra surpresa, escondida de olhares menos atentos. Umas escadas estreitas situadas à entrada do lado direito descem em espiral até à cripta. Trata-se, na verdade, de outro templo, de decoração despojada, com pavimento revestido a mosaico em xadrez preto e branco, um local imerso na escuridão, proprício à meditação e à comunhão com os mortos.

Muito perto e um pouco mais acima, encontra-se finalmente o palácio de onde se tem uma vista soberba do vale por onde se estendem os jardins, da Serra e do Palácio da Pena. O monograma de Carvalho Monteiro destaca-se na fachada do edifício, todo ele ligado por cordas, nós, laçadas e frisos, num manifesto recurso aos elementos típicos do estilo manuelino.
A arte gótica impele-nos a olhar para cima. O edifício desafia as leis da gravidade e prolonga-se em direcção ao céu, numa sucessão de capitéis, gárgulas e pináculos ogivais, muitos deles quase imperceptíveis.
A visita termina no interior do palácio, onde se destaca o lindíssimo pavimento polícromo de mosaico veneziano. Riquís-simo nos seus ornamentos, o palácio alberga actualmente uma exposição dedicada à colecção de objectos maçónicos de José Eduardo Pisani Burnay, um dos mais importantes acervos mundiais do género, constituído por mais de 600 peças.

Os Templários
Poço Iniciático: de quinze em quinze degraus se descem os nove patamares desta imensa galeria subterrânea, construida em espiral.

Criada no auge das Santas Cruzadas, a Ordem do Templo era constituída por monges-soldados que tinham por missão proteger os lugares santos da Palestina contra os infiéis. Com o decorrer do tempo, estes cavaleiros foram adquirindo riquezas e poderes e, consequentemente, inimigos muito fortes. De tal forma que, em 1314, a Ordem foi perseguida e extinta pelo papa e pelo rei de França. Em Portugal, D. Dinis afectou os bens dos Templários à Ordem de Cristo. Mas o desaparecimento dos templários não significou o desaparecimento do templarismo, cujo espírito, resumido na defesa dos lugares sagrados e na luta contra o mal, renasceu em várias correntes e organizações iniciáticas. A cruz templária no fundo do poço iniciático e a cruz da Ordem de Cristo no pavimento da Capela, testemunham, precisamente a influência do templarismo em Carvalho Monteiro. Há ainda, na Regaleira, referências à corrente esotérica iniciada no século XVII, de tendência cristã, utilizando os símbolos conjuntos da rosa e da cruz. O movimento Rosa-Cruz propunha reformas sociais e religiosas, exaltava a humildade, a justiça, a verdade e a castidade, apelando à cura de todas as doenças do corpo e da alma.

Iniciação e Maçonaria

A Franco-Maçonaria tem origem nas associações profissionais de pedreiros-livres e de construtores de catedrais medievais, que se reuniam em lojas para debaterem questões profissionais e questões de carácter filantropo, moral e religioso. Com o decorrer do tempo, estas sociedades secretas começaram a aceitar membros estranhos à profissão, mas que partilhavam dos mesmos ideais. Esta degeneração fez com que, em 1717, surgisse em Inglaterra a Maçonaria moderna, já desligada das práticas profissionais originais. Sempre rejeitados pela Igreja Católica, os ensinamentos maçónicos que defendiam a caridade, a imortalidade da alma e a existência de um princípio espiritual superior (o Grande Arquitecto do Universo), tinham também implícitos na sua simbologia, afinidades com correntes esotéricas como a Alquimia, o templarismo e o rosacrucianismo."


Este talvez seja o mais famoso espaço esóterico e mistico de Portugal.
Algumas fotos da minha visita á Quinta e ao Palácio da Regaleira:













































fotos tiradas por Paulo Lourenço "Ramiro de Kali"